Rute | EBI

Amizade não é câmbio comercial, é compartilhar;

Amizade não é ser mais popular pelo grande número de “amigos” nas suas redes “antissociais”;

Amizade é princípio bíblico, que diz de disposição, de laços que se assemelham a parentescos de sangue, de sentir o que fere o outro e gritar junto,

ora calar-se e só dar colo.

Texto base: Rute 1-6-7 / 15-22

6 Quando Noemi soube em Moabe que o Senhor viera em auxílio do seu povo, dando-lhe alimento, decidiu voltar com suas duas noras para a sua terra. 7 Assim ela, com as duas noras, partiu do lugar onde tinha morado. Enquanto voltavam para a terra de Judá, 15 Então Noemi a aconselhou: “Veja, sua concunhada está voltando para o seu povo e para o seu deus. Volte com ela!” 16 Rute, porém, respondeu: “Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus! 17 Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti! ” 18 Quando Noemi viu que Rute estava de fato decidida a acompanhá-la, não insistiu mais. 19 Prosseguiram, pois, as duas até Belém. Ali chegando, todo o povoado ficou alvoroçado por causa delas. “Será que é Noemi? “, perguntavam as mulheres. 20 Mas ela respondeu: “Não me chamem Noemi, chamem-me Mara, pois o Todo-poderoso tornou minha vida muito amarga! 21 De mãos cheias eu parti; mas de mãos vazias o Senhor me trouxe de volta. Por que me chamam Noemi? O Senhor colocou-se contra mim! O Todo-poderoso me trouxe desgraça! “ 22 Foi assim que Noemi voltou das terras de Moabe, com sua nora Rute, a moabita. Elas chegaram a Belém no início da colheita da cevada.

Versão NVI- Nova Versão Internacional

 

Contextualizando:

Estes versículos são marcados pelo retorno de Noemi à sua terra. Retorno marcado pela ausência dos familiares (marido e os dois filhos), pela permanência da nora Rute ao seu lado neste regresso e a notícia de que havia alimento na sua terra natal, possibilitando que esperança surgisse nesse tempo de perda, mas também de colheita.  

Rute é a jovem viúva do filho de Noemi. Ao invés de “continuar” a vida de “forma convencional” ou como sua concunhada (Orla, ex-nora de Noemi que volta para sua terra), ela escolhe continuar com a sogra e abrir mão de um novo casamento (que ocorre no desfecho da história em Rute 4:13, mas não era sua maior preocupação), novas oportunidades (trabalho(?), viagens, planos-sonhos), da sua juventude, para estar ao lado da sogra.

A relação entre essas duas mulheres, iguais em alguns aspectos (ambas viúvas), distintas em outros, retoma o conceito e a experiência da Sororidade*. Será tecido uma relação de cuidado mútuo, amor e fidelidade, que ajudarão essas mulheres a enfrentarem juntas as adversidades das suas histórias. A amizade transborda nessas vidas e nos convida a pensar nesse modelo de relação que fica vago em nossos tempos.

 

Da sessão: QUEM SÃO ELAS?

I – O verbo “chamar” aparece 3 vezes dos versos (20-22) e indica uma insistência em dizer algo sobre Noemi. A partir do mix de palavras escolha uma e argumente no grupo porque não caracteriza Noemi. Qual a realidade dessa mulher?

ALEGRE; AGRACIADA; DOCE; ANIMADA; AGRADÁVEL;

II – O que podemos saber de Rute olhando para os versos 16-18?

 

Da sessão: A QUEM ELA TEM?

III- Rute é a nora de Noemi que nos deixa de queixo caído com sua postura firme e irreverente (“Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus!” Rute 1:16). Jovem, viúva, trabalhadora. Para a maioria das mulheres que ao lerem esse texto pode ser que surja espanto ou muitas interrogações sobre as convicções irrevogáveis de Rute, e logo, pensamos na nossa resposta se colocados diante da mesma situação.

Vejamos que as tomadas de decisões de Rute…

– Não deixar Noemi

– Ir aonde Noemi fosse

– Ficar onde Noemi ficasse

– Ter o mesmo povo que Noemi

– Ter o mesmo Deus que Noemi

… apontam para o Amor, aqui com raiz firme no campo das Ações. Amar é escolher (I Cor 13:7)! Em meio à aflição Noemi pode experimentar que Amor e Empatia brotam em desertos.

O que a atitude de Rute pode nos ensinar sobre como reagir diante do sofrimento de nosso próximo?

Olhando para o texto, lembre-se de alguma mulher que pode estar passando por situações adversas, que seja próxima ou não de você, e pense: Como você mulher pode ser força para outra mulher? Quais têm sido escolhas suas que podem ou vêm a contribuir com a vida dessa mulher? Como isso pode fortalecê-la?

 

Da sessão: QUEM ELAS PODEM SER?

IV- Vemos que a perda do marido e filhos paralisa Noemi, mas o amor demonstrado por Rute também (“Quando Noemi viu que Rute estava de fato decidida a acompanhá-la, não insistiu mais” Rute 1:18.). O voltar de Noemi diz sobre uma nova perspectiva de como ela se enxerga (Mara/Amarga); diz de impotência diante o que lhe ocorreu, mas a soberania daquele que é Senhor mesmo na dor; diz de esperança e um novo começo ainda que não se resolvesse sua situação (sem marido e filhos). O voltar diz que ela tem ao seu lado uma amiga com coragem e fé disposta a caminhar com ela, Rute; diz de mãos e corações que anseiam por novidade na colheita; diz da misericórdia do Senhor.

Reflita e se puder compartilhe: Que boa notícia da parte de Deus temos ouvido que nos dá esperança e nos faz ‘voltar’ ou seguir adiante para um novo começo?

 

Desafio RUTE

Reserve

Um  (dois, três, vinte minutinhos…)

Tempinho e

Escreva para aquela amiga encorajando-a, sendo um apoio, demonstrando carinho, empatia e cuidado!  

*Sororidade: Sororidade vem do latim soror, que significa irmã.

 

Material de apoio:

LANE, Willian. Despedida e Retorno: três viúvas, separação e união. Disponível em: <http://ultimato.com.br/sites/estudos-biblicos/assunto/vida-crista/despedida-e-retorno-tres-viuvas-separacao-e-uniao/&gt;

BRUCE, F. F. (Comp.). Comentário bíblico NVI: Antigo e Novo Testamentos. São Paulo: Vida, 2008.

GRANT, Jessica. MENINAS MALVADAS. 2015. Disponível em: <https://projetoredomas.wordpress.com/2015/09/24/meninas-malvadas/&gt;


Jessica Nayara sapateia em palcos e rabisca na engenharia de alimentos. Negra, paulista que descobriu Minas Gerais, estudante, vice-presidente da ABU Minas.


O conteúdo e as opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade de sua autora e não representa a posição institucional da ABUB, outra instituição ou de todas as organizadoras e colaboradoras do Projeto Redomas. O objetivo é criar um espaço de construção e diálogo.

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