Tamar e o plano de redenção | Gn 38:1-27 | EBI

Texto base: Gênesis 38. 1-27

“E aconteceu no mesmo tempo que Judá desceu de entre seus irmãos e entrou na casa de um homem de Adulão, cujo nome era Hira,
E viu Judá ali a filha de um homem cananeu, cujo nome era Sua; e tomou-a por mulher, e a possuiu.
E ela concebeu e deu à luz um filho, e chamou-lhe Er.
E tornou a conceber e deu à luz um filho, e chamou-lhe Onã.
E continuou ainda e deu à luz um filho, e chamou-lhe Selá; e Judá estava em Quezibe, quando ela o deu à luz.
Judá, pois, tomou uma mulher para Er, o seu primogênito, e o seu nome era Tamar.
Er, porém, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, por isso o Senhor o matou.
Então disse Judá a Onã: Toma a mulher do teu irmão, e casa-te com ela, e suscita descendência a teu irmão.
Onã, porém, soube que esta descendência não havia de ser para ele; e aconteceu que, quando possuía a mulher de seu irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência a seu irmão.
E o que fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que também o matou.
Então disse Judá a Tamar sua nora: Fica-te viúva na casa de teu pai, até que Selá, meu filho, seja grande. Porquanto disse: Para que porventura não morra também este, como seus irmãos. Assim se foi Tamar e ficou na casa de seu pai.
Passando-se pois muitos dias, morreu a filha de Sua, mulher de Judá; e depois de consolado Judá subiu aos tosquiadores das suas ovelhas em Timna, ele e Hira, seu amigo, o adulamita.
E deram aviso a Tamar, dizendo: Eis que o teu sogro sobe a Timna, a tosquiar as suas ovelhas.
Então ela tirou de sobre si os vestidos da sua viuvez e cobriu-se com o véu, e envolveu-se, e assentou-se à entrada das duas fontes que estão no caminho de Timna, porque via que Selá já era grande, e ela não lhe fora dada por mulher.
E vendo-a Judá, teve-a por uma prostituta, porque ela tinha coberto o seu rosto.
E dirigiu-se a ela no caminho, e disse: Vem, peço-te, deixa-me possuir-te. Porquanto não sabia que era sua nora. E ela disse: Que darás, para que possuas a mim?
E ele disse: Eu te enviarei um cabrito do rebanho. E ela disse: Dar-me-ás penhor até que o envies?
Então ele disse: Que penhor é que te darei? E ela disse: O teu selo, e o teu cordão, e o cajado que está em tua mão. O que ele lhe deu, e possuiu-a, e ela concebeu dele.
E ela se levantou, e se foi e tirou de sobre si o seu véu, e vestiu os vestidos da sua viuvez.
E Judá enviou o cabrito por mão do seu amigo, o adulamita, para tomar o penhor da mão da mulher; porém não a achou.
E perguntou aos homens daquele lugar dizendo: Onde está a prostituta que estava no caminho junto às duas fontes? E disseram: Aqui não esteve prostituta alguma.
E tornou-se a Judá e disse: Não a achei; e também disseram os homens daquele lugar: Aqui não esteve prostituta.
Então disse Judá: Deixa-a ficar com o penhor, para que porventura não caiamos em desprezo; eis que tenho enviado este cabrito; mas tu não a achaste.
E aconteceu que, quase três meses depois, deram aviso a Judá, dizendo: Tamar, tua nora, adulterou, e eis que está grávida do adultério. Então disse Judá: Tirai-a fora para que seja queimada.
E tirando-a fora, ela mandou dizer a seu sogro: Do homem de quem são estas coisas eu concebi. E ela disse mais: Conhece, peço-te, de quem é este selo, e este cordão, e este cajado.
E conheceu-os Judá e disse: Mais justa é ela do que eu, porquanto não a tenho dado a Selá meu filho. E nunca mais a conheceu.
E aconteceu ao tempo de dar à luz que havia gêmeos em seu ventre;”

 

Vamos falar sobre…?

  • Em Gênesis 38, abre-se um parêntese na história de José logo após sua venda aos mercadores de escravos (capítulo 37) para contar sobre o paradeiro de seu irmão Judá. Por que Judá saiu da casa dos irmãos (v.1)?
  • Segundo a lei do levirato (Dt 25. 5-10), em caso de morte do marido, era responsabilidade do irmão perpetuar a linhagem do falecido e amparar a viúva financeiramente. Além disso, as relações deviam ser apenas com o propósito de gerar herdeiros. Por que há uma resistência de Onã em cumprir essa lei? Há objetificação* de Tamar por parte de Onã?

* objetificação: tratar uma pessoa como uma mercadoria ou objeto, não dando importância à sua personalidade ou dignidade.

  • Após a morte dos dois filhos pelas mãos de Deus, Judá tenta evitar que Tamar cumpra a lei casando com o filho mais novo, “para que porventura não morra também este”. Há uma culpabilização da mulher nessa atitude? Essa atitude é diferente do que se vê atualmente, principalmente em casos de violência sexual?
  • Tamar se vê obrigada a voltar para a casa dos pais (v.11). Como você acha que ela se sentiu durante esse período? O que ela devia estar pensando sobre a casa de Judá?
  • Outra forma de que se cumprisse a lei do levirato era concebendo do pai do falecido; entretanto Judá não parecia se lembrar dessa possibilidade. Enquanto isso, Tamar assistia de longe a negação quanto ao seu direito enquanto matriarca de uma das linhagens mais importantes de Israel. Após a morte da sogra, qual a estratégia de Tamar? Como se deram as negociações? Por que Tamar coagiu Judá a dar um penhor (objetos de identificação dos homens de posição da época, símbolos de poder e autoridade) enquanto não recebia o cabrito prometido?
  • Aos 3 meses da gestação de Tamar os boatos já haviam se espalhado: “adulterou, e eis que está grávida do adultério” (v. 24). Seria “Adultério” o nome do pai da criança? Como essa primeira notícia é recebida por Judá? Por que a questão da honra agora não é mais indiferente para ele?
  • Quais as implicações do “teste de DNA” entregado por Tamar à Judá? O que a constatação “Mais justa é ela do que eu” significa nesse contexto?
  • No livro de Rute, Tamar é citada como exemplo de boa casa “Seja a tua casa como a casa de Perez, que Tamar teve de Judá…” (Rt 4.12.) Em Mateus 1. 3, 16 lê-se: “E Judá gerou, de Tamar, a Perez e a Zerá; e Perez gerou a Esrom; e Esrom gerou a Arão; (…) E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo.”. O que podemos pensar sobre o papel de Tamar no DNA da salvação e o plano perfeito de Deus para a vinda do Messias?
  • Observe o quadro de Cornelis Cornelisz. van Haarlem. Qual a posição de Tamar e o que ela traz nas mãos? Quais as expressões dos personagens à volta? Quem é esse moço no chão e o que ele pode significar?

Judah and Tamar (Juda en Tamar), 1596, Cornelis Cornelisz. van Haarlem (Dutch Mannerist Painter, 1562-1638), oil on panel, 44 x 75 cm,Frans Hals Museum, Haarlem, The Netherlands.

 


Luciana Petersen é estudante de Jornalismo na UFSJ. É cristã, feminista negra, já pensou ser de exatas e agora é de confusas.


O conteúdo e as opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade de sua autora e não representa a posição institucional da ABUB, outra instituição ou de todas as organizadoras e colaboradoras do Projeto Redomas. O objetivo é criar um espaço de construção e diálogo.

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