Pelos padrões

Com quantos anos você começou a se depilar? E a fazer as unhas? Se maquiar? Fazer a sobrancelha? Com quantos anos você começou a ver tudo isso como obrigatório? Necessário? Parte de ser mulher? Com quantos anos você começou a chamar isso de “saúde”? ˜Higiênico˜? Com quantos anos você esqueceu que você era saudável, feminina e tava tudo bem antes de tudo isso?

Não me entenda errado: eu não acho que você é “obrigada” a parar de se depilar. Eu sei bem como a situação é contrária toda vez que saio na rua com saia ou shorts e as mulheres encaram minhas pernas como se o fim do mundo chegasse por elas. A sociedade exige que as mulheres sejam de determinada forma estética, e tudo o que eu quero é te ajudar a entender que não é assim. Você é livre, nunca se esqueça.

De onde veio a necessidade de depilar? De onde veio seus padrões de beleza? De onde veio suas regras do que é feminino? Da Bíblia posso apostar que não foi, então não diga que sou menos mulher por não seguir esses padrões. Também não veio da medicina ou de um manual de limpeza pessoal confiável, afinal, qual é a diferença entre homens e mulheres que faz com que pra nós seja motivo de saúde e higiene, mas pra eles… bom, pra eles não é nada?

Nossos pelos não tem nada a ver com higiene, retirá-los é apenas uma questão cultural. Eles também não tem nada a ver com feminilidade e beleza, que, opa, também são construídos social e culturalmente. Mas deveriam ser apenas uma opção estética, e infelizmente se tornou quase obrigatório depilá-los.

Enquanto cristãs repetimos muitas vezes entre nós esses padrões obrigatórios e falamos muito mal de nossas irmãs que não seguem os “ideais”. É preciso mudar isso. Justamente enquanto cristãs não deveríamos valorizar a liberdade que Cristo nos deu e a verdade? Afinal, repetir uma mentira cultural também é mentir, e “os lábios que dizem a verdade permanecem para sempre, mas a língua mentirosa dura apenas um instante” (Provérbios 12:19 – NVI). Se damos motivos que não são reais para convencer nossas irmãs a aderirem a padrões de beleza estamos errando, e feio.

Você tem dúvida sobre algo? Se é saudável, higiênico ou apenas estético? Pesquise em fontes confiáveis, com médicos confiáveis, por exemplo. E não siga um padrão que te faz mal só porque todas seguem ou não faça outra seguir por isso: você é livre, eu já não disse? Cristo nos libertou dos padrões desse mundo, e isso inclui os padrões estéticos.

Por fim, um apelo: vamos parar de achar defeitos na criação de Deus? Ele criou a gente assim e viu que era bom, quem somos nós pra fazer “uns acertinhos”? Se quisermos algo diferente, tudo bem, mas chamar isso de “melhor” não tá bem. A reflexão que fica é: você é realmente livre para decidir se quer ou não se depilar e faz essa escolha conscientemente?


Jessica Grant é jornalista e tradutora freelancer, casada com Lucas, congrega na Igreja Metodista Livre da Saúde e participa da ABUB desde 2006.


O conteúdo e as opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade de sua autora e não representa a posição institucional da ABUB, outra instituição ou de todas as organizadoras e colaboradoras do Projeto Redomas. O objetivo é criar um espaço de construção e diálogo.

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