relato2016 4

“Eu estava no treinamento para um projeto missionário. Antes de ir para o sertão, fiquei 6 meses estudando na sede da missão. Como a sede era perto da praia, quando terminávamos os estudos, íamos correr, surfar, mergulhar, esfriar a cabeça. Tinha um pastor fazendo um curso lá também. Esse pastor legalzão adorava surfar, e eu achei que foi acidental quando eu caí da prancha e ele passou a mão em mim. Mas no dia seguinte, esse pastor (casado), estava conversando comigo na praia e começou a dar em cima de mim. Passou a mão na minha coxa, tentou me beijar. Eu gelei. Tirei a mão dele, disse que não queria. Dois amigos chegaram e não perceberam nada. Na mesma hora levantamos e fomos embora. Fiquei alguns dias sem saber o que fazer. Esse pastor foi para sua cidade buscar sua esposa e filho, pois se mudariam para João Pessoa. Quando ele saiu, contei tudo para a direção. E qual foi uma das medidas tomadas? “De hoje em diante as meninas não podem mais ir a praia de biquíni.” Oi? Não querem que eu me sinta culpada, mas tomam uma medida machista dessa. A partir desse dia entendi, que, não importa quem é a vítima, sempre vai sobrar algum “castigo” para a mulher. Também entraram em contato com o cara (afinal, precisam ouvir a versão de um homem), ele admitiu o que fez e não voltou mais lá. Queria tanto voltar no tempo, com a cabeça que tenho hoje. Eles iam ouvir muito. Mas, como eu queria continuar no projeto, concordei.”

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