Uma “mulher viúva necessitada”, e agora?

(Texto Base: I Reis 17. 8-24)

Introdução

O livro de Reis é uma historiografia dos reis de Israel, demonstrando, além disso, com a divisão dos reinos, a bondade de Deus para com o seu povo, também exigindo um compromisso para com Ele.

O Senhor levanta um profeta, chamado Elias, cujo ministério tem como significado: Deus é o meu Senhor. De fato, ao analisar o desenrolar dos acontecimentos, vemos a providência de Deus nas ocorrências apresentadas durante o seu trabalho.

Neste estudo em questão, a viagem de Elias para um local fora de Israel por ordenança de Deus, o fez ir de encontro a uma viúva, habitante de Sarepta. Esta mulher, a viúva de Sarepta, que não era israelita, tem um papel fundamental neste trecho do capítulo, sendo lembrada em Lucas capítulo 4, versículos 25-26, em que podemos perceber o cuidado e o ensinamento de Deus para ela e para o seu povo. Uma atitude dela, talvez considerada até mesmo simplória, mas que revela um grande caráter.

E é isso que veremos nesse estudo, o propósito de Deus em usar esta “mulher, viúva e ainda necessitada” dentro do plano providencial divino.

Agora, leia o texto de I Reis, capítulo 17, versículos 8-24 (Nova Versão Internacional):

8. Então a palavra do Senhor veio a Elias:

9. “Vá imediatamente para a cidade de Sarepta de Sidom e fique por lá. Ordenei a uma viúva daquele lugar que lhe forneça comida”.

10. E ele foi. Quando chegou à porta da cidade, encontrou uma viúva que estava colhendo gravetos. Ele a chamou e perguntou: “Pode me trazer um pouco d’água numa jarra para eu beber?”

11. Enquanto ela ia indo buscar água, ele gritou: “Por favor, traga também um pedaço de pão”.

12. “Juro pelo nome do Senhor, o teu Deus”, ela respondeu, “não tenho nenhum pedaço de pão; só um punhado de farinha num jarro e um pouco de azeite numa botija. Estou colhendo uns dois gravetos para levar para casa e preparar uma refeição para mim e para o meu filho, para que a comamos e depois morramos.”

13. Elias, porém, lhe disse: “Não tenha medo. Vá para casa e faça o que disse. Mas primeiro faça um pequeno bolo com o que você tem e traga para mim, e depois faça algo para você e para o seu filho.

14. Pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘A farinha na vasilha não se acabará e o azeite na botija não se secará até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a terra’ “.

15. Ela foi e fez conforme Elias lhe dissera. E aconteceu que a comida durou todos os dias para Elias e para a mulher e sua família.

16. Pois a farinha na vasilha não se acabou e o azeite na botija não se secou, conforme a palavra do Senhor proferida por Elias.

17. Algum tempo depois o filho da mulher, dona da casa, ficou doente, foi piorando e finalmente parou de respirar.

18. E a mulher reclamou a Elias: “Que foi que eu te fiz, ó homem de Deus? Vieste para lembrar-me do meu pecado e matar o meu filho? “

19. “Dê-me o seu filho”, respondeu Elias. Ele o apanhou dos braços dela, levou-o para o quarto de cima onde estava hospedado, e o pôs em cima da cama.

20. Então clamou ao Senhor: “Ó Senhor, meu Deus, trouxeste também desgraça sobre esta viúva, com quem estou hospedado, fazendo morrer o seu filho? “

21. Então ele se deitou sobre o menino três vezes e clamou ao Senhor: “Ó Senhor, meu Deus, faze voltar a vida a este menino! “

22. O Senhor ouviu o clamor de Elias, e a vida voltou ao menino, e ele viveu.

23. Então Elias levou o menino para baixo, entregou-o à mãe e disse: “Veja, seu filho está vivo!”

24. Então a mulher disse a Elias: “Agora sei que tu és um homem de Deus e que a palavra do Senhor, vinda da tua boca, é a verdade”.

Para discutir…

  • Divida o texto em dois blocos (1º: versículos 8 a 16; 2º: versículos 17 a 24). Quais atitudes da viúva de Sarepta são possíveis de se observar em cada bloco? E quando juntas, o que demonstram?
  • Por qual (is) motivo (s) o Senhor ordenou, especificamente, que uma viúva desse de comer a Elias? Que relação pode ser estabelecida entre este (s) motivo (s) e os sinônimos da palavra “viúva” frequentemente utilizados (pobre, desamparada…)?
  • Ainda, sabendo que a viúva não era israelita, podendo ser considerada “pagã”, o que o contraste de ideias presentes nos versículos 18 e 24 (acerca da fala da viúva a Elias) revelam?
  • Elias tem um papel fundamental como profeta, pois é ele o encarregado de levar a Palavra de Deus ao povo, sendo um mensageiro. Quando chega à Sarepta, ao encontrar a viúva, lhe faz um desafio que requer obediência, não a ele enquanto homem, mas sim ao que Deus ordenara.  Dessa forma, a mulher – viúva de Sarepta – também tem um papel de igual modo fundamental nesse contexto.
  • No que consistia este desafio proposto por Elias?
  • Qual seria este papel fundamental da viúva de Sarepta?
  • E qual seria a provável consequência se esta não obedecesse a ordenança do Senhor, dada através do profeta Elias? Como chegou a esta conclusão?
  • Notamos que a viúva, neste texto, possui uma postura de humildade e também solidariedade frente aos acontecimentos. Mais do que isto, no final do texto, ela demonstra reconhecimento e gratidão ao dizer que: Agora sei que tu és um homem de Deus e que a Palavra do Senhor, vinda da tua boca, é a verdade” (vs. 24).  Qual o propósito de Deus em usar esta mulher como instrumento Dele? O que isto nos ensina?
  • Reconhecemos neste texto a providência do Senhor para com a vida da viúva e de seu filho. Tal providência se dá por um ato de fé e coragem da viúva, o que demonstra uma atitude nobre através de um compromisso firmado, completo e inequívoco. A mesma atitude também é possível de ser encontrada em II Rs. 4. 1-7, através de uma outra viúva, no período do ministério de Eliseu.
  • Dessa forma, como identificar e reconhecer a importância da figura feminina em ambas as passagens em relação a providência de Deus? Contextualizando para os dias atuais, é possível agir, ainda hoje, de modo semelhante ao das viúvas apresentadas?

Para refletir…

  • Em Habacuque 3. 17-19a (NVI) diz:

“17. Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, 18. ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação.
19a. O Senhor Soberano é a minha força; ele faz os meus pés como os do cervo; ele me habilita a andar em lugares altos.”

Vimos que a viúva de Sarepta demonstrou confiança e coragem em meio a dificuldade que enfrentava. Assim, relacionando o texto estudado e Hc 3. 17-19a, como podemos seguir o exemplo desta mulher e ainda encontrar plena alegria e satisfação em Deus, mesmo quando tudo se torna escasso?

Leia a tirinha abaixo:

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No texto estudado identificamos uma ação de amor ao próximo, através do gesto da viúva para com Elias. Esta mesmo sem condições, se dispôs a repartir o que tinha com o profeta (última refeição sua e de seu filho). Vemos então, a soberania de Deus em providenciar tudo, mas também notamos a decisão desta mulher em confiar no que Deus lhe ordenou por meio do Seu profeta. Ela, que não tinha nada e passou a possuir pela providência de Deus, tudo que precisava, foi essencial para as reações que vieram na sequência.

  • Relacionando isto com a tirinha, em que Calvin diz: “…cada decisão que tomamos determina o leque de opções que teremos a seguir”, o que você tem feito para ser agente de Deus na sua providência para com a vida do próximo? As atitudes como acolher e acalentar o sofrimento daqueles que passam por necessidades (tanto espirituais, financeiras, materiais, saúde, psicológicas, e outros…) têm sido presentes na sua vida? Como ser solidário diante do que foi apreendido da história desta viúva?

Referências:

-Bíblia de Estudo de Genebra. 2ª ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil; São Paulo: Cultura Cristã, 2009. 1984 p.; 24 cm.
-Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional/[traduzida pela comissão de tradução da Sociedade Bíblica Internacional].4ª ed. São Paulo, SP: Sociedade Bíblica Internacional; São Paulo,2000. 970p.
-Tirinha Calvin e Haroldo (por Bill Watterson): Disponível em <www.pinterest.com/pin/509258670333964150/>. Acesso em 13 de outubro de 2015.


Larissa Castro Moura é mineira, cursa economia na Universidade Federal de Santa Catarina e é abuense.


O conteúdo e as opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade de sua autora e não representa a posição institucional da ABUB, outra instituição ou de todas as organizadoras e colaboradoras do Projeto Redomas. O objetivo é criar um espaço de construção e diálogo.

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