As mulheres e a engenharia

“Nossa, que sala mais cheia de mulheres, geralmente as turmas da engenharia que dei ou dou aula tem mais homens!”, “A proporção homem x mulher nessa sala tá pequena!”, “Mulher engenheira tem que ser bruta, saber se impor, ainda mais se tiver cargo de gerência, porque senão ninguém respeita!”, “Empresa X não contrata mulheres, pois elas não conseguiriam lidar com os peões… porque vocês sabem, tem uns que são safados!”. Essas são só algumas das frases que ouço com frequência em sala de aula e, sim, vindas de meus próprios professores – homens e mulheres. Aparentemente algumas devem ser ouvidas e aplicadas, para que nós mulheres engenheiras possamos estar prontas para enfrentar o mercado de trabalho, enfrentar e não deixar que os assédios morais  aconteçam.

O mercado para a Engenharia vem crescendo cada vez mais, novos cursos surgindo e, logo rótulos surgindo também. Têm as engenharias “mais femininas” como Engenharia de Alimentos e Ambiental. Outras “mais masculinas” como Engenharia mecânica, automação e computação. E claro, tem aquelas que são pra todos, Engenharia civil e Produção. Precisamos parar de criar rótulos e de separar o que é do masculino e o que é do feminino, ser homem ou mulher não pode nos impedir de escolher uma profissão, ter uma carreira profissional bem sucedida, ser mulher não pode passar a ser um critério em processos de seleção em empresas, a mulher não deve ser vista como uma  pessoa inferior para não poder ter um cargo de liderança, ou ser frágil demais para exercer um papel, a mulher não deve criar uma “personalidade bruta” para receber respeito no trabalho, para não ser abusada moralmente.                   

A inclusão da mulher no campo da engenharia tem acontecido aos poucos, já começando com as salas de aula onde o número de mulheres tem crescido, onde elas tem frequentado também as engenharias “mais masculinas”, quebrando os rótulos, fazendo a diferença dentro das salas, mostrando que sim, a engenharia é para todos, homens e mulheres. Quem faz a profissão somos nós, a partir do nosso caráter.

Que nós mulheres engenheiras já incluídas no mercado de trabalho e também as  que ainda  estão em construção, ainda frequentando as salas de aula das universidades, sejamos a mudança. Que possamos mudar esses rótulos criados. Que nós não precisemos nos submeter a abusos, que possamos exercer nossa profissão igualmente com nossos direitos e principalmente sendo respeitadas.


Ana Letícia de Freitas Vieira é graduanda em Engenharia de Minas na Universidade Estadual de Minas Gerais –  FaEnge, e é 2º Secretária de Comunicação e Literatura  – Aliança Bíblica Universitária – Região Minas Gerais.


O conteúdo e as opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade de sua autora e não representa a posição institucional da ABUB, outra instituição ou de todas as organizadoras e colaboradoras do Projeto Redomas. O objetivo é criar um espaço de construção e diálogo.

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